Delegado é condenado a mais de 11 anos de prisão por desvios milionários que seriam destinados a obras em escolas de Goiás
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Delegado é condenado a mais de 11 anos de prisão em Goiás O delegado da Polícia Civil Dannilo Ribeiro Proto foi condenado a mais de 11 anos de prisão por integrar um esquema criminoso que desviou recursos públicos destinados principalmente a reformas e obras em escolas estaduais de Rio Verde, no sudoeste de Goiás. Segundo a sentença, o grupo obteve R$ 1,85 milhão de forma indevida. A decisão também determinou a perda do cargo de delegado. Além de Dannilo, a mulher dele, Karen Proto, e outras oito pessoas foram condenadas. Karen, que foi coordenadora regional de Educação de Rio Verde, também recebeu pena de mais de 11 anos de prisão. Segundo a decisão, ela atuava como uma das principais articuladoras do esquema e tinha acesso a informações relacionadas às obras e reformas que seriam realizadas nas unidades de ensino. Em nota à TV Anhanguera, a defesa de Dannilo e Karen Proto informou que entrou com um habeas corpus porque o processo estava há quase três meses sem sentença e o delegado está preso há mais de um ano. Segundo os advogados, a sentença foi proferida após a apresentação do pedido. A defesa afirmou ainda que não teve acesso integral às provas do processo e que vai recorrer às instâncias superiores. A defesa de Leonard Ferreira de Paulo informou que vai recorrer da decisão por entender que a sentença não reflete a melhor interpretação da legislação e dos fatos. A reportagem entrou em contato com a defesa de Vitor Rodrigo Bento, e aguarda retorno. Dannilo Proto, delegado da Polícia Civil condenado a mais de 11 anos de prisão, também teve a perda do cargo determinada pela Justiça Reprodução/Instagram de Dannilo Proto Perda dos cargos Além das penas de prisão, a juíza Placidina Pires determinou a perda dos cargos públicos de Dannilo Proto, Karen Proto e Vitor Rodrigo Bento. Karen foi coordenadora regional de Educação de Rio Verde entre 2019 e 2024 e era servidora da Secretaria de Estado da Educação de Goiás (Seduc). De acordo com o processo, ela tinha acesso antecipado a informações sobre reformas e obras previstas para escolas da região. Vitor, por sua vez, era servidor responsável pela fiscalização e conferência das prestações de contas na Coordenação Regional de Educação de Rio Verde. Segundo a investigação acolhida pela Justiça, ele atuava na validação de documentos relacionados aos contratos envolvidos no esquema. A decisão é de primeira instância e ainda cabe recurso. LEIA TAMBÉM: Delegado preso suspeito de desvio em contratos na educação é flagrado com celular na prisão, diz MP Delegado é preso suspeito de desviar R$ 2,2 milhões em contratos na área da educação em Rio Verde Dois passageiros são presos no aeroporto de Goiânia com medicamentos para emagrecer Como funcionava o esquema Justiça condena dez pessoas por fraudes em contratos da Seduc Segundo a sentença, Dannilo era o líder do grupo, enquanto Karen exercia papel central na articulação do esquema. A investigação apontou que empresas eram utilizadas para conseguir contratos relacionados a obras e reformas de escolas estaduais. De acordo com o Ministério Público de Goiás (MP-GO), Karen tinha acesso privilegiado a informações sobre as unidades que receberiam obras e reformas. Esses dados eram repassados ao grupo e usados para favorecer empresas ligadas aos envolvidos nas contratações. Entre as provas apresentadas no processo estão mensagens trocadas pelos envolvidos. Em uma das conversas, Karen menciona a atuação de Vitor junto a assessores financeiros das regionais de Educação. Em outra troca de mensagens apresentada pelo MP-GO, Dannilo conversa com Vitor sobre Leonard, apontado como operador das obras. O delegado diz: “Já vai trabalhando a ideia dele” e, em seguida, afirma: “Pra ver se fechamos 20% pra nós. Pegamos tudo”. Para o Ministério Público, a conversa estava relacionada à divisão de valores obtidos a partir dos contratos. A Justiça considerou as mensagens entre os elementos que sustentaram a condenação. Dannilo Proto e a mulher, Karen Proto, foram condenados por esquema de desvio de recursos destinados a escolas estaduais de Goiás Reprodução/Instagram de Dannilo Proto Dez pessoas condenadas Ao todo, dez pessoas foram condenadas no processo. Dannilo e Karen receberam penas superiores a 11 anos. Leonard Ferreira de Paulo, apontado como operador das obras de reforma, foi condenado a oito anos de prisão. Os demais condenados tiveram diferentes participações atribuídas no esquema. Dannilo é o único dos dez que permanece preso. Os outros nove condenados, incluindo Karen, estão em liberdade e poderão recorrer da sentença nessa condição. O delegado está preso desde agosto de 2025, quando foi alvo da Operação Regra de Três. A sentença manteve a prisão dele. Entre os fundamentos citados pela Justiça estão fatos ocorridos enquanto Dannilo já estava detido. Segundo o processo, durante o período em que ficou custodiado em uma cela da Delegacia Estadual de Investigação de Homicídios, em Goiânia, ele teve acesso a celular e computador e continuou mantendo contatos externos. Posteriormente, Dannilo foi transferido para a Casa do Albergado, onde permanece preso. A Justiça considerou que a manutenção da prisão é necessária diante da conduta atribuída a Dannilo durante o período em que já estava detido, incluindo ameaças apontadas no processo. Um habeas corpus apresentado pela defesa está previsto para ser analisado nesta terça-feira (8) pelo Tribunal de Justiça de Goiás (TJ-GO). O pedido busca permitir que Dannilo recorra da condenação em liberdade. Operação Regra de Três O caso veio à tona em agosto de 2025, quando o MP-GO deflagrou a Operação Regra de Três. Na época, foram cumpridos um mandado de prisão preventiva e 17 mandados de busca e apreensão em Rio Verde e Goiânia. As investigações apontaram que o esquema funcionava desde 2020 e teria provocado um prejuízo superior a R$ 2,2 milhões aos cofres públicos. Os recursos estavam relacionados principalmente a reformas e obras em escolas da rede estadual. A apuração também alcançou contratos para impressão de material didático destinado às escolas estaduais e a contratação de um instituto ligado ao grupo para a realização de concurso público da Câmara Municipal de Rio Verde. Na época da operação, a Seduc informou que não tinha conhecimento prévio dos fatos investigados e afirmou que os envolvidos não faziam parte da gestão da secretaria nem das unidades regionais de Educação naquele momento. 📱 Veja outras notícias da região no g1 Goiás. VÍDEOS: últimas notícias de Goiás